segunda-feira, 2 de julho de 2012

" Michelangelo "


              


               Entre Sprays de cabelo, e sapatilhas a saltar, percebi que no canto da sala tinha um silencio a mais. As paredes com barras traziam digitais desorientadas feitas por mãos firmes e brancas, mas do nada, minhas retinas cansadas conseguiram observar algo alegremente diferente dentre os corpos dependentes da musica que estava a tocar.
 Uma garota da cor da noite... Incrível é que ela sorria sem medo, sem desespero, quieta, discreta.  Destaque natural entre as peles pálidas, entre os olhos claros, entre as bocas finas. Ela irradiava vida, vida negra que clareava todos... Pelas arestas da sala sentei, e ali observei, quieto a beleza inquieta, trancada em um corpo que por movimentos graciosos, fizeram a sua alma se mostrar, ali mesmo, nitidamente transparente... Silencio.

               Às vezes ela se sentia triste, e entre duvidas e inseguranças, não conseguia se aceitar. Logo ela que aceitava a todos, e por todos se doava sem muito pensar. Seu silencio falava, falava mais que um livro, às vezes ela se resumia a isso, silencio, só silencio e pra ela isso bastava.
Pra que falar demais se os pensamentos já falam por si só. 
E assim ela esperava. O que? Também não sei, só sei que ela esperava algo... Como a mulher de um pescador, que espera o marido na beira do mar, imóvel, mas com o coração em pleno movimento. Pronto. Ela esperava nessa mesma intensidade... Creio que esperava uma mão amiga, um elogio bobo, uma musica alegre, um abraço apertado.  Ela esperava aquilo que fizesse sorrir não sua boca, mais sua alma.

               Sentava na varanda e via o tempo passar, via a vida passar sem pedir passagem nem licença a ninguém. O carro de policia a cantar, a oficina do outro lado a fechar, o avião que passou, quase beijando seu prédio, o porteiro quase a flagrou se matando por conta do tedio, e da varanda seguiam em vista bicicletas na calçada, crianças no meio da rua, de um lado sorrisos falsificados e do outro, brigas verdadeiras, trazendo a verdade nua e crua.
Era nessas horas que ela entrava em desespero, percebia que não conseguia entender o que desfilava em frente aos seus olhos, imagina se ia conseguir entender o que ela não conseguia ver, Seus sentimentos.
Quase sempre exalava saudade, saudade daquilo que foi bom e daquilo que ainda nem viveu e era por ai que ela se fazia feliz, ela era feliz, apenas às vezes não se entendia Porem quando dançava incrível como completa se sentia... O mundo poderia cair meus amigos, mais a garota da cor da noite continuava ali, bailando entre peles pálidas e uma lua nua...

               E assim ela segue, entre excessos de sentimentos, cheia de pensamentos românticos, dentre muitos que lhe mandam a real realidade até mesmo pelo vento, porem sem medo e sem receio ela não para, se machucando ali, se levantando por aqui, sorrindo acolá, chorando por lá, cruzando as esquinas doloridas da vida, no mesmo tempo em que passa cola nas feridas.

Às vezes  para, respira, Sorri desesperadamente esperançosa por algo que nem ela mesma sabe, mais deposita uma fé enorme, em ser feliz. Num futuro incerto que ela não cansa de se arriscar...
Quem disse que o silencio não fala? O silencio fala e tem a cor da noite. E os pensamentos se exalam dos poros negros, de coração doce. E o tempo passa, a alma se fortalece, os sonhos se enobrecem, o sorriso acordando aparece, e assim ela dança, para a lua nua, entre as peles pálidas, e a vida crua, pois foi só a partir daí onde percebi que entre sprays de cabelo, e sapatilhas a saltar, no canto da sala tinha um silencio sensível, que não parava de falar.

Adpt: "Tomar Coca-Cola com Você"






‎"Tomar Coca-Cola com você
é ainda mais divertido do que ir a noite para Recife Antigo em dia de festa, para Paris, Roma, Berlim, ou estar mal do estomago na travesseira das águas de Veneza.

Tomar Coca-Cola com você é ainda mais divertido do que andar em um carro bonito, branco e conversível. Em parte por que nesse vestido preto você parece um Recife antigo mais novo, uma Paris mais iluminada, o lugar mais desejado, uma pintura mais feliz, em parte por causa do meu carinho por você.

No ar quente das quatro da tarde em Nova Iorque ou em Piedade, o perto se torna longe e assim vagamos em circulo, um entre o outro, sem parar, como uma arvore
respirando por suas oftálmicas.

E a exposição de retratos parece não ter qualquer rosto,
só tinta, então se pergunta por que alguém se deu o trabalho de fazê-los,
pois é,
olho você e assim percebo que preferiria olhar você a todos os retratos do planeta, minha querida. 
Não por causa de sua beleza, mas sim por causa do que seus olhos e silencio esconde.

Tomar Coca-Cola com você ou qualquer outra bebida é isso:
Um gole de felicidade e um sorriso a nascer no canto da boca."

" A Estrada "





Andei sozinho por muito tempo, 
encontrei pessoas perdidas no meio do meu caminho, umas ficaram outras partiram, mas todas deixaram um pouco de si dentro de mim... 

Os outros são os espelhos de nós mesmos. 

E com o tempo, encontrei pessoas que fazem os cantos da minha boca se abrirem, mostrando um sorriso bem estampado na parede do meu rosto.

A cada dia me conheço mais através de quem me tem, e a cada dia amo mais cada um que a mim alguma vez se dedicou e naturalmente dedicar me fez...
 O melhor de tudo é a certeza da aceitação, é não se aceitar, mas encontrar a inesperada felicidade de ver que outros te aceitam, aceitam minhas fraquezas, grosserias, chatices, caretices, e por ai vai os defeitos que mostram a minha total humanidade, fragilidade...

O tempo passou e deixou todos enraizados em mim, que assim seja e que assim fiquem... 
E fiquem mais um pouco... 
Ate a minha raiz morrer, e mesmo assim só restar lembranças que se enraizaram em muitos que conviveram conosco... Amo muito a verdade de se amar, de nos amar... 
Abraços luminosos, meus melhores, meus bens mais preciosos... 
Meus amigos!


" Ao Céu "





Nunca desejei tanto sair tropeçando nessa vida de Meu Deus; tropeçar em pessoas verdadeiras, ou cair em um poço de paz, nas coisas que tem mais coração sabe! Nos caminhos luminosos, nos abraços sinceros, no amor reciproco...

E vejo todos seguindo mais profundamente, ninguém saber realmente pra onde vai, pra onde quer ir, mas não paramos, seguimos em frente, às vezes olhamos pra traz, e nesse olhar, durante alguns segundos voltamos a viver no passado, de lembranças; depois reabrimos os olhos, e continuamos a seguir e incrível como tudo isso basta. 

... Entre saudades contidas, vontades caladas, sonhos e desejos regados à fé, nos motivamos com algo que nem sabemos. E sorrimos, mesmo muitas vezes estando na merda. Pois somos fracos, dependentes, porem não desistimos de nada.

É a pele que se machuca, mas é o coração e a alma que doem, e a consciência pesa, mas tudo passa. E depois do andar do tempo. Sorriremos de tudo isso, sabia?! Sorriremos até mesmo dos choros contidos que desesperadamente nos fazem querer tanto desejar tropeçar em coisas boas, nessa vida de Meu Deus.

E que seja leve, que tudo seja mais leve, pra todos nós.

" Abismo "









Os abismos se refazem a cada salto dado, e a coragem tem que ser recarregada.

Por aqui os fracos não tem vez...
À noite escorrendo pelos olhos, e os postes dando luzes ali, pra ninguém.


O céu é pouco pra todos nós, por vez a barriga ainda anda vazia, e todos continuam a sentir dores, mais calados, a oralidade silenciosa não da brecha pra erros fatigados e repetitivos...

E eu que pensava que conhecia o mundo, me flagrei pensando que nem eu mesmo eu conheço!




Internei-me dentro de mim mesmo, e achei no meio da escuridão uma flor!
Vi que... Entre toda confusão a uma alma pacifica,
entre toda tristeza, a um sorriso tranquilo,
foi ali que acordei...

Pois é as coisas são como devem ser, as dores vem, se vão, voltam, cessão... E nós... Nós como fênix, renascemos dos baques sofridos, rasteiras perdidas, e lagrimas contida, mas estamos aqui... Contando historias pra outro rir, olhando bem nos olhos do futuro, respirando, e procurando uma única coisa, ser hiperbolicamente feliz...
E assim continuamos dançando a vida, sem pedir licença, e sem vontade alguma de partir.

" Enfim "




Em calmaria constante. 

Sem pressa de se desprender de mim mesmo e me perder novamente. 
Acabei de me reencontrar, juntei agonizantemente todos os pedaços que foram parar longe, logo depois da ultima onda revolta, enfim os cacos novamente se encontraram, o quebra-cabeça remontado está. Então calma... 

Muita calma pra o jogo recomeçar...
Deixa as pegadas na areia mais e mais se aprofundar, o tempo girando, tonto ficar... 
As luzes sempre vêm na hora certa, e tudo de poético, vai ficando mais poético ainda. 

Que a respiração lhe seja leve, que a vida lhe seja leve, que tudo seja mais leve e bem proveitoso, pra mim, pra ti, pra ele, pra ela e por fim, intensamente, longe do fim, pra todos nós.